28 de janeiro de 2013

Discos

“ O Que Não Se Vê ” de Cristina Massena já nas lojas



O álbum de estreia de Cristina Massena estará disponível a partir de 28 Janeiro. “O Que Não Se Vê” conta com 12 temas originais, onde se reflecte a sua profunda identidade artística. O primeiro single “O Meu Nome É Terra” já está disponivel no iTunes.
Cristina Massena nasceu no Porto, onde estudou música desde os 7 anos. Apaixonada pela expressão, tem vindo a desenvolver trabalhos numa vasta área artística, da Arquitectura às Artes Plásticas.
Encontra na música a sua genuína identidade, escrevendo e compondo canções em Português que revelam um Universo próprio construído entre imagens, palavras e sons.
“O Que Não Se Vê” é o seu primeiro álbum de originais como cantautora, com o selo da Boom Studios e distribuição da Universal Music Portugal, e é um projecto que vem desenvolvendo e amadurecendo desde 2007.
O single de avanço chama-se “O Meu Nome É Terra” e foi uma canção escrita a pensar no esforço, na mudança, na luta da sobrevivência humana e já está disponível.
Lazer

Carla Andrade vence a 1ª edição do Festival B-Ellas Artes em Madrid



Um concurso dirigido apenas a mulheres, valorizando o esforço da Associação de Mulheres nas Artes Visuais pelo seu contributo pela igualdade de oportunidades e de tratamento, ao qual concorreram, nesta 1ª edição 117 projectos.
"Caminhos da Terra" é um projecto composto por 18 fotos de 18x24 cm, que inclui um modo de exibição de "atlas", em referência de Aby Warburg.
A sua realização foi possível graças a um subsídio de residência de artista em Hersusid, Siglufjördur -Islândia.
Carla Andrade descreve “Caminhos da Terra” em duas ideias chaves, a primeira centrada nas estradas e paisagens ”as estradas são mostradas como novas metáforas, como novas terras a conquistar. Elemento que orienta e evita derrapagens, mas que apenas podemos controlar um partido; seu fim é sempre imprevisível. O caminho mostra que ainda está a ser, ou o que ainda não chegou a ser. Trata-se de um Mistério em si mesmo”.

Desta forma o papel do homem é fundamental, pois contém um simbolismo profundo, “todos procuramos conhecer e ao mesmo tempo a sonhar com o que não é conhecido". A maneira, “o como?”; “O meio”;”
O homem a entrar em confronto com a natureza” a forma como o homem destrói e corrompe a natureza foi a segunda ideia deixada
Devido à sua capacidade de sugestão em relação à poupança e aos materiais expressivos, foi por unanimidade que o júri atribuiu o 1º lugar à fotografa.
Em Março, o mês da mulher, Carla Andrade terá a oportunidade de exibir o prémio vencedor na sede da Fundação FIART em Madrid.
Livros

António lança livro de “ Caricaturas do Metro do Aeroporto ”



O livro reúne as 50 personalidades que o artista desenhou para a estação do Metro do Aeroporto, um importante espaço de circulação, de chegada ou partida para os cerca de 400 mil passageiros que por ali passam mensalmente.
Saliento a coragem do engenheiro por ter aceitado um projecto politicamente incorrecto”, disse António em relação ao Presidente do Metro de então, Francisco de Mello e Castro, que assistiu à conversa.
A caricatura como arte pública foi o tema discutido durante a tarde e António não foi brando nas palavras: “Temos uma posição muito provinciana em relação à caricatura. É praticamente inexistente no espaço público”.
As paredes da estação do metropolitano do Aeroporto são um pólo de atracção, que não deixa ninguém indiferente. “Aceitei o projecto porque pensei que seria excelente confrontar aquele que entra e sai, com quem faz parte da nossa história”, interveio o antigo Presidente do Metro de Lisboa.
Nas paredes do Metro estão algumas das figuras mais representativas do século XX português como Almada Negreiros, Vasco Santana, Amália Rodrigues entre outros. “Sou um falso lisboeta mas sou um amante da cidade, quando os homenageio estou a ser autêntico”.
A Galeria do Museu Bordalo Pinheiro expôs ainda alguns dos estudos em desenho do autor, que é cartoonista do semanário “Expresso” há 38 anos.
António tem visto o seu trabalho premiado em todo o mundo, destacam-se os títulos de Prémio Internazional Sátira Política (Itália, 2002), o Grande Prémio Stuart Carvalhais (Portugal, 2005) ou o Prix Presse International (França, 2010).
Recorde-se que a estação do Aeroporto de Lisboa, extensão da Linha Vermelha que terminava na estação do Oriente, só foi inaugurada no Verão 2012, cinco anos e meio depois do prazo previsto.

Uma extensão de mais de três quilómetros que, segundo o Metro de Lisboa, cumpre o trajecto do centro de Lisboa ao Aeroporto em cerca de 16 minutos.

Lendas

“ A Lenda da Pedra Negra ”

Há muitos anos, já tantos que se perdeu a conta, vivia uma formosa menina de olhos azuis e cabelos loiros, na companhia de seus pais que habitavamuma cabana e repartiam o tempo ora no amanha das terras, ora pescando. A menina foi crescendo e tornou-se uma moça bondosa e virtuosa.
Era o enlevo dos pais e para eles vivia. Gostava de apascentar as ovelhas e enquanto iam “tosando” viçosa erva do prado, a menina ia fiando pequena maçaroca. Contemplava o azul do céu, que se casava com o perdidohorizonte azul do oceano. Cantava com os pássaros,apanhava flores e corria no pradoatrás das borboletas. Para contemplar tão lindo quadro apareceu, certo dia, garboso mancebo, que viera caçare, ao avistar a donzela,quedou-se maravilhado. Falaram. Daí em diante, o apaixonado rapaz vinha ao prado todos os dias e com ela corria, cantava e colhia flores. Assim deitou fora este par de namorados a Primavera e Verão nestes inocentes folguedos até
que, indo o Outono quase a meio, as ondas do mar, sob violento temporal, despejaram na praia chagado e exausto o robusto homem barbado e de tez queimada.
Recolhido com muita piedade na cabana pelos pais da donzela,este homem, que era mau e pirata, foi carinhosamente tratado e curado. Ainda doente tinha jurado ao demo raptar a menina. E, após ter acabado de construir uma jangada, correu ao prado, aferrou a moça ao peito e partiu.
Neste comenos chegara o seu amado que, avistando-o, correra sobre ele despejando certeiraseta,que se fora alojar no costado do aleivoso. Feriu-o mortalmente no momento em que este ia para a improvisada embarcação. Tombou, mas não sem primeiro arremassar, para lonje, a infeliz, que as ondas para sempre amortalharam nesta praia de Aguçadoura.
Cantaram os anjos no céu em louvor da donzela; folgou o diabo no infernoe toda a companhia do bruto. Cachada (era este o nome do valoroso mancebo” de tanto chorar a sua amada está transformado num regato.

O prado tomou o nome de “Guizos”, em memoria dos balidos das ovelhas, e, no seio do mar, lá está a donzela de cabelos de oiro ao sol da manhã (a pedra das pinhas) e, na beira-mar, assediada pelas ondas,está a PEDRA NEGRA – o pirata da lenda.

O SÃO JOÃO DA DEGOLA


" Salomé com a cabeça de São João Baptista ", Caravaggio, Palácio Real de Madrid.
Filho de Zacarias, sacerdote judeu, e de Isabel, prima afastada de Maria, mãe de Jesus, São João Baptista, o Precursor (por ter anunciado e preparado a vinda de Cristo), com vinte e quatro anos parte para o deserto em retiro espiritual, alimentando-se apenas de gafanhotos, ervas, raízes, frutos e mel. Mais tarde, baptiza Jesus Cristo nas águas do rio Jordão, na Palestina, apresentando-O ao povo como o Messias.
Foi decapitado no ano 31 a pedido de Salomé, princesa judia, que solicitou a cabeça do santo a seu tio Herodes Antipas – tetrarca da Galileia, que julgou Jesus Cristo. Este pedido, segundo a tradição, terá sido feito por exigência de Herodíade, mãe de Salomé e cunhada de Herodes.
A degolação de São João Baptista é celebrada a 29 de Agosto.
Esta data associa o santo, uma vez mais, aos banhos rituais e profilácticos, assinalados já na celebração do seu nascimento: 24 de Junho.
Com efeito, festas e rituais diversos relacionados com os banhos santos, continuam a verificar-se todos os anos um pouco por todo o país, numa estranha e complexa conjugação em muitas festas e romarias consideradas das mais antigas e populares celebradas entre nós. Avaliando, contudo, a água como um dos elementos essenciais à vida (é ela que envolve desde logo o embrião humano) e também como símbolo do baptismo, ou seja da iniciação e da purificação, será mais fácil reconhecer a sua importância e significado.
Prática precessora de outras mais remotas, com origem nos cultos pagãos em louvor das ninfas e outras divindades pré-romanas das águas, há quem a relacione com o culto a Ártemis, deusa grega das florestas, das montanhas e dos animais selvagens (a Diana dos Romanos), que gostava de banhar-se nas águas dos rios e das fontes e cujos templos ficavam sempre junto dos charcos e dos lameiros, ou ainda a Neptuno, deus do mar (na Grécia Posídon).
O banho santo mantido e difundido pela devoção popular e aceite pelo cristianismo (conquanto sujeito a várias perseguições, pelo menos desde o século IV e que prosseguiram pela Idade Média), continua a usufruir de toda a devoção de uma sociedade, ontem predominantemente rural, hoje a incluir uma vertente cada vez mais urbana. Muitas festas, romarias ou simplesmente datas cíclicas do calendário circunscritas apenas à consumação de práticas rituais, incluem banhos considerados purificadores e profilácticos, tanto em fontes, como nos rios ou no mar, de pessoas e animais, principalmente rebanhos de cabras e de ovelhas levados pelos seus pastores.
Se bem que as sociedades modernas tenham adoptado e aplicado os banhos santos a outras datas igualmente festivas, que não aquelas remotamente estabelecidas pela tradição – supostamente, no sentido de os recriar ou de os recuperar – em particular na noite da passagem do ano, com os banhos purificadores tomados à meia-noite ou de madrugada (por exemplo em Lisboa, nas praias da costa do Estoril, e noutras praias onde o costume se enraizou).
Tradicionalmente, as datas são três: no dia de São João (24 de Junho), no dia de São Bartolomeu (24 de Agosto) e no dia da degolação de São João (29 de Agosto). De acordo com a tradição, os banhos devem ser tomados na véspera à meia-noite, ou de madrugada, em jejum, antes de nascer o Sol, altura em que a água, segundo a crença do povo, «é considerada benta». A circunstância de duas das datas coincidirem, uma com o nascimento de São João e a outra com a sua morte, poderá estar associada ao facto bíblico de São João Baptista ter baptizado Jesus Cristo nas águas do rio Jordão.
No Algarve, o banho continua a ter lugar, preferencialmente, no dia 29 de Agosto, valendo «por nove e curando o reumatismo» (costume que se supõe, herdado dos Árabes, que tomavam o banho profiláctico de mar nesta mesma data).
Na praia da Manta Rota (Vila Real de Santo António), o «banho da degola» (recuperado nos últimos anos) é tomado de manhã, antes de nascer o Sol, com os grupos de participantes vestidos como os antigos banhistas da região: elas em combinação, eles de ceroulas até ao joelho, a deslocarem-se, alguns deles, montados em burros e munidos de merendas destinadas ao piquenique que terá lugar logo depois. Em Lagos a tradição repete-se nos mesmos moldes (recuperada também ela há poucos anos), com o banho tomado no dia 29.
Na serra algarvia de Monchique os banhos santos têm lugar não a 29 de Agosto, mas de 28 para 29 de Setembro. A razão da mudança de data vamos apenas encontrá-la na seguinte informação dos mais velhos: “desde que se lembram, sempre assim foi”. Por isso, no final do dia 28, descem da serra até à praia as crianças das escolas, acompanhadas de grupos de adultos, para o «banho do 29», vestidas, por vezes, com fatos de banho a imitar os modelos antigos, sendo o banho tomado à meia-noite em ponto. Ainda aqui, sem esquecer a merenda…
O «famoso banho do 29» não se limitava apenas ao Algarve. Também em certas localidades da Beira Baixa e mesmo no Minho se verificava, no dia 29 de Agosto, o banho santo de pessoas e animais.
Para além das habituais comemorações litúrgicas desta data, continua a ser no Algarve que a tradição mais se faz cumprir. Não já nos moldes de outrora, mas com as celebrações populares a perdurarem ainda com alguma animação. Por isso, em Aljezur, o feriado municipal recai no dia 29 de Agosto – assinalando assim, condignamente, em terras algarvias, o «São João da Degola».
Soledade Martinho Costa
Do livro "Festas e Tradições Portuguesas", Vol. VI

No momento exacto
Chegou a tua mão estendida
Coberta de silêncio
A repetir no gesto
O brilho
Que têm as estrelas.
Chamei e ecoou em ti
O grito
Irmã desconhecida.
Afinal
Há fendas
No muro de granito
E há mãos
Sem grades nas janelas.
Soledade Martinho Costa
(Do livro “Reduto”)