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Portugal - O teu destino é nunca haver chegada - O teu destino é outra índia e outro mar - E a nova nau lusíada apontada - A um país que só há no verbo achar ... Manuel Alegre , in " Chegar Aqui " « tb.podes visitar - lobisomemluizdias.blogspot.pt/ e no facebook - Luiz Dias ( lobisomem ) ... País purista a prosear bonito , a versejar tão chique e tão pudico , enquanto a língua portuguesa se vai rindo , galhofeira , comigo - Alexandre O'Neil
25 de fevereiro de 2013
22 de fevereiro de 2013
| Turismo |
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“ Fábrica de Chocolate ” em Óbidos até
Março
O Festival Internacional de Chocolate, que
decorrerá este ano subordinado ao tema do filme “Charlie e a Fábrica de
Chocolate” tem o seu início a 22 de Fevereiro e até 17 de Março.
O Festival, um motivo mais que suficiente para descobrir Óbidos, voltará, nesta edição de 2013, a estar aberto só nas sextas, sábados e domingos nos quatro fins-de semana.
“My Chocolate Box”, um concurso que vai premiar as
caixas mais criativas para chocolates, é uma das novidades deste ano, bem como a
“Fábrica de Chocolate”, um espaço a visitar para se observar a produção de
bombons.
Ainda no campo das novidades, os mais curiosos, este ano, terão um espaço dedicado apenas a livros de cozinha e pastelaria com a temática do chocolate e ainda uma outra zona dedicada à experimentação de cocktails de chocolate, num ambiente de laboratório de investigação, informa a organização.
Tal como nas edições anteriores continuam o
Concurso Internacional de Receitas de Chocolate, o Concurso Chocolatier
Português do Ano, o Concurso de Montras em Chocolate e as tão apreciadas
esculturas em chocolate.
Mantém-se também a famosa Passagem de Modelos com Chocolate, a realizar pelas 22:00, do dia 16 de Março, na Praça de Santa Maria.
No“Kids Cooking”, um espaço para os mais pequenos,
e ainda os Cursos de Chocolateria, desde o nível I, para quem se está a iniciar
na arte de preparar sobremesas de chocolate, ao nível III, para quem já domina a
técnica, mas quer saber ainda mais.
Na Cerca do Castelo, onde decorre todo o evento,
haverá a realização de esculturas de chocolate ao vivo, show cooking, onde se
apresentam sobremesas tradicionais e pratos de carne ou peixe com chocolate, e
ainda uma área de jogos para os mais pequenos, para além de demonstrações de
body painting.
Os restaurantes do concelho de Óbidos associam-se ao evento, tendo nas suas ementas pratos especiais, todos com chocolate. Os bilhetes, que podem ser adquiridos nas bilheteiras do evento ou na internet, serão colocados à venda muito brevemente. |
| Museus |
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“ Recriações ” no Museu do Artesanato e Design
de Évora
Assinada por Gregório Figueiredo, é inaugurada
pelas 16:30 de 13 de Fevereiro, no Museu de Artesanato e Design em Évora,
“Recriações”, uma mostra composta por um conjunto de peças em madeira,
elaboradas a partir de troncos e raízes de oliveira e azinho que, sem
descaracterizar os sinais do tempo, o artista transforma em peças artísticas e
utilitárias.
Recorde-se que o MADE alberga a colecção
do antigo Museu do Artesanato/Centro de Artes Tradicionais, apostando na
promoção da memória dos ofícios tradicionais do Alentejo, inserindo a produção
artesanal no contexto do design e explorando, assim, novas conotações sociais e
antropológicas.
“Recriações” vai estar patente ao público até ao
dia 28 de Abril, de terça-feira a domingo, das 09:30 às 13:00 e das 14:30 às
18:00.
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| Cultura |
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Estoril Jazz considerado pela UNESCO evento
comemorativo do Dia Internacional do JazzO festival Estoril Jazz, que decorrerá em Maio, foi considerado pela UNESCO Portugal um evento comemorativo do Dia Internacional do Jazz, anunciou hoje o promotor Duarte Mendonça à Agencia Lusa. O festival não coincide com o Dia Internacional do Jazz, proclamado pela UNESCO pela primeira vez a 30 de Abril de 2012, mas a comissão nacional da organização, em Portugal, decidiu atribuir-lhe o selo de "evento comemorativo". A 32.ª edição do Estoril Jazz, festival histórico criado pelo programador Duarte Mendonça, decorrerá de 10 a 12 e de 17 a 19 de Maio, no Casino Estoril, com um cartaz que inclui, por exemplo, o pianista Harold Mabern e a Orquestra do Hot Clube de Portugal. O presidente da Câmara Municipal de Cascais. Carlos Carreiras, referiu na sua página do facebook "Nos nossos quase 650 anos fomos feitos de muitas histórias, construídas por muitas pessoas, ao longo de gerações. Pessoas com muito talentos e em varias artes. Somos feitos de varias cores e de varias rimas, mas também de vários sons. Somos um mosaico de vários lugares que se constituem como verdadeiras marcas que reforçam a nossa identidade. Estoril também rima com Jazz." A Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência Cultura (UNESCO) decretou 30 de Abril como o Dia Internacional do Jazz, por proposta do músico e compositor Herbie Hancock, por considerar que o jazz é uma expressão musical que pode "derrubar barreiras e simbolizar a paz e a unidade". Este ano, a UNESCO quer aproveitar a efeméride para afirmar a importância deste estilo de música nos movimentos de luta pela liberdade e para ajudar novamente a um entendimento entre culturas. "Onde há pessoas que lutam pela liberdade, o jazz está quase sempre", afirmou na terça-feira, em Istambul, Neil Ford, porta-voz da UNESCO, que insistiu na ligação entre este estilo de música e "os esforços para construir um mundo mais livre". Ford anunciou que as celebrações do Dia Internacional terão este ano a cidade turca de Istambul como centro, o que permitirá ver o jazz sob outra perspetiva, conhecer os seus laços ao Médio Oriente e até considerar como esta música pode servir para reforçar o papel das mulheres na sociedade. |
| Concertos |
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Recreios da Amadora apresentam Paulo de
CarvalhoO recital que terá lugar neste 22 de Fevereiro no espaço do Recreios da Amadora juntará duas culturas musicais que se encontram na experiência de músicos como Paulo de Carvalho e Victor Zamora. Será um recital intimista que terá como base canções de Paulo de Carvalho, viajando por caminhos musicais novos através da colaboração de Victor Zamora. Voz e Piano é o que podem ver e ouvir em canções que já conhecem na voz do Paulo. "E Depois do Adeus", "Os Meninos de Huambo", "Prelúdio (Mãe Negra","O Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça" ou "O Fado", são alguns dos temas que se podem ouvir, em conjunto com histórias de vidas dos seus autores. |
| Concertos |
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" O Melhor dos Musicais " muita música no
Coliseu"O Melhor dos Musicais", o espectáculo que se exibe na noite de 22 de Fevereiro no Coliseu dos Recreios, reúne os melhores artistas da actualidade e conta com uma orquestra que toca as mais belas canções de sempre. Será um espectáculo que contará com John Owen-Jones, Robyn North, Madalena Alberto e Henrique Feist. John Owen-Jones é considerado o melhor “Valjean” de sempre pelos fãs. Ele foi o protagonista de “Les Miserables”, actuou na Broadway e no West End, também na “25th Anniversary Tour”, e de “Phantom of the Opera” em Londres que conta já com mais de 1600 representações. Colaborou também na celebração dos 25 anos do “Les Miserables” no quarteto final, também como nos 25 anos do “Phantom of the Opera”, também no momento final dos 4 Phantoms com Sarah Brightman Robyn foi nomeada pela Whatsonstage.com pela personagem Christine Daaé no "Phantom of the Opera" em Londres, papel que desempenhou mais de 1000 vezes. Recentemente, tambem colaborou na Comemoração dos 25 anos deste musical, No Royal Albert Hall. Presentemente, podemos ver a Robyn no filme "Les Misérables". Madalena Alberto, mais uma portuguesa a brilhar nos palcos dos melhores musicais, foi protagonista de “Fame”, “Chicago” e “Zorro” em Londres e esteve presente no 25º aniversário de “Les Miserables” onde foi também protagonista. Henrique Feist, que está presente nos melhores musicais já feitos em Portugal, foi protagonista de “Sweeney Todd”, “Cabaret” e “Máquina de Somar” em Lisboa. Teve duas nomeações para os Globos de Ouro na categoria de “Melhor Actor” tendo sido galardoado com o prémio da SPA para melhor Actor pela sua participação no musical "Máquina de Somar" e representa a Disney em Portugal sendo a sua voz masculina, conhecida por todos nós. Nuno Feist assume a direcção musical e também a orquestra deste espectáculo e tem no seu currículo a direcção musical dos Globos de Ouro desde 2006 até hoje, foi ainda o compositor do musical “Maldita Cocaína”. Participou como director musical de “Os Produtores”, “Fame” e “High School Musical 2”, em inúmeros programas de TV. Os irmãos Nuno Feist e Henrique Feist estão a comemorar 30 anos de carreira e mais uma vez estão juntos na produção e realização de um espectáculo musical. |
| Concertos |
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Joel Xavier com “ Alegria ” no Gil Vicente em
Coimbra
Joel Xavier regressa em 2013 com ”Alegria “, uma
trabalho que encerra uma explosão de ritmos desde o samba do Brasil à
coladeira de Cabo Verde até ao semba de Angola, numa linguagem única em que a
guitarra é a principal protagonista.
“Alegria”, incluiu composições de vários cd’s
editados internacionalmente durante os mais de 20 anos de carreira de Joel
Xavier, assim como a apresentação de novos originais de sua autoria.
Ao vivo, Joel Xavier irá apresentar-se com o seu “
Power Trio “ composto por Milton Batera, do Brasil na bateria & percussão e
Markus Britto, também do Brasil no baixo.
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20 de fevereiro de 2013
História do Fado
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A capela e a fonte da senhora da saúde
Havia, outrora, na pequena povoação de Saudel, da freguesia de S. Lourenço e do Concelho de Sabrosa, um pobre lavrador, muito religioso e temente a Deus, que tinha uma filha bastante doente.
Apesar disso, mandava-a todos os dias apascentar as poucas ovelhas que tinha, num monte que ficava perto da povoação, onde havia uma fonte, erva abundante e muitos castanheiros.
A menina, habituada com os pais, rezava diariamente o terço, contando as ave-marias pelos dedos. E, no tempo das castanhas, varejava os ouriços com a vara de pastora e abria-os com uma pedra, para lhes comer os frutos. No resto do ano, comia alguma côdea de pão, quando calhava, porque em sua casa nem sempre havia esse manjar.
Um dia, depois da sua oração habitual, apareceu-lhe Nossa Senhora que lhe disse:
- Eu sou a Senhora da Saúde e venho fazer-te um pedido: diz ao teu pai que Me construa uma capela grande, neste lugar, e ponha nela a minha imagem.
A menina respondeu:
- Mas o meu pai não tem dinheiro para a fazer. Às vezes, até o pão falta em nossa casa.
A Senhora respondeu:
- Diz-lhe também que, se ele aceitar o meu pedido, não faltará dinheiro para as obras nem pão para vós.
A pequena foi para casa e contou ao pai tudo o que a Senhora lhe tinha dito.
O pai acreditou nas palavras da filha e, confiante nas promessas de Nossa Senhora de quem era muito devoto, deitou imediatamente mãos à obra.
Contratou pedreiros para cortar a pedra, carreiros para a transportar e canteiros para a trabalhar e assentar.
As obras cresciam a olhos vistos e em pouco tempo a capela ficou concluída, com grande admiração de toda a gente. Ninguém sabia donde vinha o dinheiro, mas a verdade é que nunca ele faltou, como também nunca mais faltou pão com abundância em casa do lavrador.
Todos reconheceram, por isso, que ali andava o dedo de Nossa Senhora, pois, sem Ela, as coisas não poderiam ter corrido tão bem e tão depressa.
Concluída a capela, encomendaram uma imagem, colocaram-na no altar e deram-lhe o nome de Senhora da Saúde, como Ela Se tinha apresentado.
Algum tempo depois, Nossa Senhora voltou a aparecer à menina doente e disse-lhe:
- Estou muito contente por teres feito o que te pedi. Agora, vou fazer-te mais um pedido: vai lavar-te à fonte que está ao pé da capela.
A menina obedeceu e ficou curada.
Quando regressou à povoação e contou o que lhe tinha sucedido, houve uma explosão de alegria. Todos deram graças à Senhora da Saúde que tão generosamente pagou à menina doente o favor que esta Lhe fizera.
E, daí em diante, os pais começaram a correr para a fonte e a mergulhar nela os filhos doentes, para obterem a cura dos seus males.
A fama destas curas espalhou-se por muito longe, e de toda a parte ali acorriam também os adultos, para beber a água e lavar-se com ela.
O povo de Saudel diz que Nossa Senhora desce do altar todas as sextas-feiras, à meia-noite, em forma de pomba, para benzer a água e manter-lhe o poder de curar.
Essa crença nasceu dum acontecimento miraculoso ocorrido a um casal de peregrinos que, há muito tempo, aí se deslocou, para cumprir uma promessa, no dia de sexta-feira.
Como eram de muito longe, foram autorizados pelo ermitão a pernoitar na casa ao lado da capela, nessa altura cheia de palha seca.
Para se acomodarem, levaram com eles uma vela e colocaram-na no parapeito da janela. Depois, deitaram-se e adormeceram, esquecendo-se de a apagar.
Pela meia-noite, quando já estavam mergulhados num sono profundo, a vela caiu e a palha começou a arder, à sua volta. Já prestes a ser devorados pelas chamas, sentiram um bico de ave a picá-los nas faces e acordaram sobressaltados.
Abriram os olhos e ainda puderam ver, à luz das labaredas, uma pomba branca a sair pela janela que dava para a fonte.
Só então deram pelo pavoroso incêndio que lavrava à sua volta. Levantaram-se, muito aflitos, julgando estar no fim dos seus dias, mas sentiram uma força interior que os impelia para a porta e conseguiram atravessar as chamas sem a mais leve queimadura.
Quando o milagre se tornou conhecido, o povo de Saudel concluiu que foi a Senhora da Saúde, em forma de pomba, que os salvou da morte, quando ia benzer a fonte dos milagres.
Por isso, no dia nove de Agosto, dia da festa da Senhora da Saúde, acorria ao recinto da capela, cantando jubilosamente:
Ó Senhora da Saúde,
Senhora tão pequenina,
Quando vais benzer a fonte,
Vais feita numa pombinha.
Fonte: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999 , p.89-91
Aboim da Nobrega
O orago da freguezia é Nossa Senhora da Assumpção, cuja egreja foi em tempos remotos mosteiro de freiras bentas, Ha aqui um dente santo que dizem ser de S. Fructuoso, abbade de Constantim (junto a Villa Real) onde está a cabeça d’elle sem um dente, outros querem que seja de Santo Eleuterio, papa, martyrisado em 196, e outros finalmente sustentam que é de Santo Eleuterio, arcebispo de Braga, fallecido em 550. O que é certo é ser o povo d’estes sítios muito devoto d’este dente, que, segundo elle, livra de mordeduras de cães damnados.
Fonte: PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e Moderno Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.Tomo I, p. 15
[ A Ermida da Senhora do Pilar ]
Em relação á ermida da Senhora do Pilar ha uma lenda, que é commum a todas as ermidas, pelo menos d’esta provincia. Diz a tradição que a Senhora appareceu no cimo do outeiro, onde hoje está edificada a sua Ermida, e que os povos d’aquelle tempo conduziram para o templo da Matriz a Imagem além encontrada, mas que a Senhora continuára a apparecer no cimo do outeiro, mostrando assim que ali queria ser venerada. Teimando o povo, e teimando a Senhora, teve o povo de ceder, mandando ali construir aquella Ermida.
Fonte: OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde Monografia do Algoz Faro, Algarve em Foco, s/d [1905] , p.208
Local Algoz, SILVES, FARO
Fonte: OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde Monografia do Algoz Faro, Algarve em Foco, s/d [1905] , p.208
Local Algoz, SILVES, FARO
A Água de São Gens
Este monte, terminado em pico, tem todas as caracteristicas dos de origem vulcanica, não lhe faltando a existencia de peixes, plantas e moluscos fossilisados, que ali se teem encontrado em abundancia.
Proximo da capelinha, para o lado sul, existe o resto de uma fonte arcada que se acha obstruida com pedras e lôdo, cuja agua foi sempre e ainda presentemente é, considerada milagrosa, muito procurada pelo povo desta região para a cura do fastio.
Esta agua, quer de inverno, quer de verão, sobe sómente até á altura das paredes da fonte; e se alguma extravasa sóme-se logo ali para não mais ser vista, atribuindo-se isso a um milagre de São Gens, como consta da seguinte lenda, que os povos destes sitios teem conservado e transmitido de geração em geração.
O monte, cheio de pinheiros e de expessos matagaes foi, em tempos remotos atacado por um violento incendio que consumiu toda a sua vegetação, á excepção, porem, da do vertice, que o incendio respeitou, ficando incolumes touças de torga, maninhos e pinheiros, que continuaram a verdejar no meio daquele quadro desolador de carvão e cinza.
Movidas de curiosidade foram ali algumas pessoas no intuito de descobrirem a causa d’aquele facto; e, percorrendo o local, foram encontrar em uma lapinha dos penhascos ao cimo do monte, a imagem de S. Gens, crendo então que por milagre dele o incendio não consumiu aquela parte do monte!
Dada a noticia do aparecimento do Santo aos povos circunvisinhos de Santos, Caratão e Castelo, resolveram eles trazer o Santo em procissão desde o alto do monte até ás abas do mesmo, onde se achava a Capela de S. Mateus e ali o colocaram.
No dia seguinte, porem, deram pela sua falta, tendo desaparecido misteriosamente. Procurando-o por toda a parte foram encontrai-o na mesma lapinha onde fora achado na vespera.
Trazido novamente para a Capela de S. Mateus mais uma vez desapareceu d’ali, sendo depois encontrado no mesmo sitio no alto do monte; pelo que o povo compreendeu que S. Gens com a sua fuga queria indicar-lhes que lhe fizessem ali uma capela; por isso trataram os habitantes circunvisinhos de a construirem começando desde logo a preparar os materiaes necessarios. Ao começar a obra lamentaram que seria muito penosa a condução da agua necessaria, pois que teriam de ir por ela a consideravel distancia e leva-la para o alto de tão ingreme outeiro; porisso toda aquela gente pediu ao Santo o seu patrocinio para que os livrasse desta dificuldade.
As suas préces foram ouvidas porque logo ali apareceu uma nascente de agua, que brotando impetuosa de uns penhascos, corria pelo monte abaixo até ao vale.
Cantando louvores ao Santo por aquele milagre edificaram em seguida a capela onde S. Gens ficou até hoje, e construiram no sitio onde a agua brotou a fonte de agua milagrosa que todas as gerações até ao presente têm usado com exito para a cura do fastio.
Não acaba ainda aqui a série de milagres de S. Gens:
Como a nascente era muito abundante os povos circunvisinhos lançaram mão daquelas aguas para a rega das suas propriedades; mas não se entendendo uns com os outros ácerca da partilha delas, querendo todos regar ao mesmo tempo, resultou dahi uma série de conflictos entre os interessados, que em continuas contendas e brigas disputavam a prioridade do uso das aguas para regas.
Em um ano, tão graves foram essas brigas que chegou a haver mortes de alguns individuos, facto que motivou grandes odios e malquerenças entre aquela gente outrora tão amiga.
São Gens, não querendo, certamente, que as suas aguas originassem tantos pecados nos homens, fez novo milagre: dali em deante as aguas que ali nasciam chegavam sómente até á altura das paredes do tanque da fonte, deixando de correr pelo monte abaixo, e se alguma trasbordava sumia-se logo ali, desaparecendo sem ninguem mais a ver; o que ainda hoje sucede.
Vendo neste acontecimento a intervenção de S. Gens, os povos contendores congrassaram-se e resignaram-se a ficarem sem agua para as regas dos seus predios como castigo ao seu egoismo e ás suas maldades.
A agua ainda hoje continua a nascer e a desaparecer junto á fonte, ainda mesmo no tempo das grandes chuvas de inverno, e continua a ser procurada e usada pelos doentes que sofrem de fastio, não sendo raro ouvir dizer para os indivíduos que comem com muito apetite: «Tu não necessitas beber agua de São Gens !»
Fonte: SERRANO, Francisco
Elementos Históricos e Etnográficos de Mação Mação, Câmara Municipal de Mação, 1998 [s/d] , p.151-153
Local-, MAÇÃO, SANTARÉM
A alma penada de odelouca
Havia uma senhora em Odelouca que tinha nove irmãos. Quando os pais morreram todos foram herdeiros. Ela herdou como um qualquer dos irmãos e dividiram as terras. Mas à noite ela ia, tirava o marco dela e punha mais desviado. No outro dia punha mais desviado.
Havia lá uma senhora que se chamava Palmira e disse-lhe assim, comadre não faça isso, que isso não se pode fazer, roubar terra.
A outra respondia comadre nesta vida bem passar que na outra ninguém nos vê penar.
Acontece que ela morreu e então à noite, pelas partilhas (eu era miúda pequena) e a gente só ouvia era ais. Eu dizia assim, coitadinha, quem é, avó? Ó filha, cala-te. Ó avó, mas quem é que está chorando?
Cala-te, filha, não digas nada.
Uma bela noite estávamos jantando favas (era a primeira vez que se comia favas naquele ano) e então ouvimos um choro para o lado dum lameiro. Era um lameiro muito grande, muito grande, e quem vinha de noite de Portimão, carvoeiros e outras pessoas, quando passavam por ali às vezes as bestas atolavam-se e só puxadas é que conseguiam safar-se. Parecia que vinha daquele lado o choro, uma agonia tão grande que se comovia o coração.
Diz a minha avó assim para um filho solteiro que tinha: filho vamos lá ver que foi alguém que veio de Portimão, eu ouço também unia criança chorar, é alguem que caiu além na lama e não se dá tirado.
Abalámos e fomos lá ver. Quando chegámos ao pé, uma lua como um sol, não estava besta, não estava vulto nenhum, não estava nada.
Voltámos para casa. E aqueles ais atrás da gente, aqueles ais sempre atrás da gente, que quando fomos para a mesa ninguém falava naquela casa e aquilo já soava debaixo da mesa onde a gente estava.
Estivemos ali naquilo até ao galo cantar e o meu avô disse assina “Bendito, louvado e adorado seja o Santíssimo Sacramento do Altar”. A partir daí não ouvimos mais nada. Isto ouvi eu várias vezes em miúda nova.
E depois as pessoas dali foram ter com o padre de Portimão, que era o padre Evaristo. Diziam que esse padre nunca tinha tido nada com mulheres e então que tinha virtude. Vieram pedir para ele esconjurá-la. Esconjurou pelo rio das pedras negras para ela medir um moio de areia com um meio alqueire sem fundo. Era a penitência. Coitada, nunca mais cá volta.
Então o padre disse que só no dia do Juízo, se ela já tiver a penitência paga, é que fica salva.
NUNCA HÁ BEM PASSAR QUE NA OUTRA VIDA NÃO DÊ EM PENAR.
Fonte: TENGARRINHA, Margarida Da Memória do Povo Lisboa, Colibri, 1999 , p.67-68
Local Mexilhoeira Grande, PORTIMÃO, FARO
Havia lá uma senhora que se chamava Palmira e disse-lhe assim, comadre não faça isso, que isso não se pode fazer, roubar terra.
A outra respondia comadre nesta vida bem passar que na outra ninguém nos vê penar.
Acontece que ela morreu e então à noite, pelas partilhas (eu era miúda pequena) e a gente só ouvia era ais. Eu dizia assim, coitadinha, quem é, avó? Ó filha, cala-te. Ó avó, mas quem é que está chorando?
Cala-te, filha, não digas nada.
Uma bela noite estávamos jantando favas (era a primeira vez que se comia favas naquele ano) e então ouvimos um choro para o lado dum lameiro. Era um lameiro muito grande, muito grande, e quem vinha de noite de Portimão, carvoeiros e outras pessoas, quando passavam por ali às vezes as bestas atolavam-se e só puxadas é que conseguiam safar-se. Parecia que vinha daquele lado o choro, uma agonia tão grande que se comovia o coração.
Diz a minha avó assim para um filho solteiro que tinha: filho vamos lá ver que foi alguém que veio de Portimão, eu ouço também unia criança chorar, é alguem que caiu além na lama e não se dá tirado.
Abalámos e fomos lá ver. Quando chegámos ao pé, uma lua como um sol, não estava besta, não estava vulto nenhum, não estava nada.
Voltámos para casa. E aqueles ais atrás da gente, aqueles ais sempre atrás da gente, que quando fomos para a mesa ninguém falava naquela casa e aquilo já soava debaixo da mesa onde a gente estava.
Estivemos ali naquilo até ao galo cantar e o meu avô disse assina “Bendito, louvado e adorado seja o Santíssimo Sacramento do Altar”. A partir daí não ouvimos mais nada. Isto ouvi eu várias vezes em miúda nova.
E depois as pessoas dali foram ter com o padre de Portimão, que era o padre Evaristo. Diziam que esse padre nunca tinha tido nada com mulheres e então que tinha virtude. Vieram pedir para ele esconjurá-la. Esconjurou pelo rio das pedras negras para ela medir um moio de areia com um meio alqueire sem fundo. Era a penitência. Coitada, nunca mais cá volta.
Então o padre disse que só no dia do Juízo, se ela já tiver a penitência paga, é que fica salva.
NUNCA HÁ BEM PASSAR QUE NA OUTRA VIDA NÃO DÊ EM PENAR.
Fonte: TENGARRINHA, Margarida Da Memória do Povo Lisboa, Colibri, 1999 , p.67-68
Local Mexilhoeira Grande, PORTIMÃO, FARO
| Cultura |
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O casal de artistas, ele tipógrafo, ela linguista,
criaram uma nova linguagem, um novo entendimento do mundo.
Angela Detanico e Rafael Lain são uma dupla muito viajada, de origem brasileira, que vive e trabalha em Paris. Começaram a mostrar os seus trabalhos em 2001 e, em 2007, representaram o Brasil na 52ª Bienal de Veneza.
“Amplitude” é fruto de um trabalho de
experimentações, cálculos, observando aquilo que nos rodeia.
Agora em Lisboa, os artistas tiveram de adaptar as suas obras à capital portuguesa. Assim como fazem sempre que expõem noutros países, é um exercício que mostra o carácter inovador das instalações que criam e que nunca são vistas da mesma forma. São mutáveis de acordo com a posição geográfica dos seus visitantes.
Se à primeira vista pensar que as obras são
aleatórias e que não fazem sentido, desengane-se.
Angela e Rafael escrevem o seu próprio código-morse e brincam com o alfabeto, com a arquitectura criada pelas linhas. “Uma composição visual abstracta, subitamente transforma-se numa frase”, explica o director artístico, Pedro Lapa.
É o que acontece por exemplo na obra "Two Voices"
(textos), onde várias folhas expostas na parede apresentam um texto de vários
autores, e partindo de Copérnico e Galileu, os dois brasileiros decidiram
questionar a ciência.
A superfície da folha é dividida em 1440 caracteres, correspondentes aos minutos de um dia. Um texto para o Sol está escrito em caracteres regulares e corresponde aos minutos em que o Sol está no céu, e o texto para a Lua escreve-se em itálico e corresponde aos minutos da Lua. Quando o Sol e a Lua se juntam no céu, os textos sobrepõem-se. “Os espaços em branco são momentos em que não há Lua. Segundo a realidade astronómica, há noites sem Lua e dias com Lua”, afirma Angela Detanico, explicando que é importante ir para além daquilo que está convencionado na nossa sociedade, é importante transpor códigos e perceber que a Lua não é exclusiva da noite nem o Sol é exclusivo do dia.
Também na obra “o dia mais longo, o dia mais
curto”, a dupla mostra “de que forma o tempo se transforma em espaço, e
o espaço em tempo”, adianta Pedro Lapa.
Duas pinturas murais com faixas de diferentes intensidades, do preto ao branco. A graduação de tons corresponde às horas de luz do dia mais longo do ano e do dia mais curto do ano em Lisboa.
Entre as várias peças, pinturas murais, projecções
e instalações, está uma instalação de livros empilhados.
O livro serve como sistema de escrita por empilhamento. A =1, B=2, até formar uma palavra. O objectivo aqui foi “escrever pelo meio de organização das coisas. É o mundo que nos fala”, completou a linguista de profissão, que estuda os desdobramentos da linguagem humana.
Vale a pena visitar a exposição “Amplitude”, no
Museu Colecção Berardo, até dia 28 de Abril, de domingo a sexta-feira das 10:00
às 19:00 e ao sábado das 10:00 às 22:00
São visiveis as influências vanguardistas da arte
digital e do concretismo deste casal que desafia a língua e comunica de forma
muito própria e inovadora, e para quem “a ordem alfabética é uma pura
convenção”.
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| Cultura |
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Correntes Literárias começa na Póvoa de
Varzim
Até domingo a Póvoa de Varzim entra numa espécie
de época alta de turismo pois o fim de Fevereiro nesta cidade já entrou no
calendário cultural do país e as Correntes de Escritas já são consideradas
como a "Feira do livro de Frankfurt em Portugal", lê-se na nota
de imprensa.
A edição deste ano, que irá homenagear Urbano
Tavares Rodrigues e Manuel António Pina, recentemente falecido, contará com a
presença de mais de 50 escritores, oriundos de Portugal, Angola, Espanha e
Brasil, e ainda tradutores, editores, designers, ilustradores, jornalistas que
irão debater literatura em mesas redondas esapalhadas por várias escolasda
cidade e aindanos vários lançamentos de livros que decorrem durante os três dias
que dura o evento.
São muitos os escritores de nome que estarão nesta
edição das Correntes de Escrita como Andrea del Fuego, a brasileira vencedora do
prémio Saramago, os espanhóis Ignácio Martínez de Píson, Susana Fortes e Domingo
Villar, os portugueses António Mega-Ferreira, Vasco Graça Moura, Valter Hugo
Mãe, Hélia Correia, Rui Zink, Richard Zimmler ou Nuno Camarneiro (prémio
Leya).
Na quinta feira, 21 de Fevereiro, pela de manhã
será entregue o prémio literário Casino da Póvoa, para o qual são candidatas
obras de Ferreira Gullar, Manuel António Pina, Hélia Correia, Fernando
Guimarães, José Agostinho Baptista, Armando Silva Carvalho, Luís Filipe Castro
Mendes e Bernardo Pinto de Almeida.
Será também lançada a revista Correntes de Escritas, dedicada, ao escritor Urbano Tavares Rodrigues que não estará presente por motivos de saúde.
Olhando com atenção para o programa literário do
Festival não são claramente visíveis os ajustamentos orçamentais feitos pela
autarquia uma vez que, como explica Segundo Luís Diamantino, " se taparam
buracos financeiros alargaram significativamente a rede de parcerias" embora
tenham deixado de patrocinar a 100% a vinda dos escritores.
"Essa despesa passou a ser feita pelas embaixadas e pelas próprias editoras". Talvez por isso se note a ausência de pequenas editoras sendo no entanto muito evidente a presença dos grandes grupos editoriais como a Porto Editora e a Leya. Das pequenas editoras destaca-se a presença da Abysmo, que vai lançar o livro de Rui Vieira, “No Labirinto do Centauro”. |
| Cinema |
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Na sua passagem pelo Festival de Cinema de Berlim,
João Viana revelou-se e foi alvo de uma distinção do DAAD Artists-In-Berlin
Programme, reconhecendo o nivel artístico e visual de “Tabatô”, prémio que se
soma à menção especial atribuída à sua longa “ A Batalha de Tabatô”, que já tem
exibição garantida em França, Alemanha e Bélgica.
Para além da distinção, o prémio consiste numa
bolsa para uma residência artística de três meses em Berlim.
A primeira presença de João Viana na Berlinale confirmou, assim, o reconhecimento internacional do realizador. A menção de honra recebida pela longa-metragem “A Batalha de Tabatô” inclui também um prémio monetário, que será utilizado para cobrir alguns custos de rodagem do filme.
O juri considerou “A Batalha de Tabatô” como “um
grande filme de João Viana sobre a Guiné-Bissau”o que veio abrir portas para a
sua exibição em vários paises.
Papaveronoir, a produtora fundada pelo realizador,
já assinou contratos com distribuidoras de vários países europeus e da América
do Norte.
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Nascido nos contextos populares da Lisboa oitocentista, o Fado encontrava-se presente nos momentos de convívio e lazer. Manifestando-se de forma espontânea, a sua execução decorria dentro ou fora de portas, nas hortas, nas esperas de touros, nos retiros, nas ruas e vielas, nas tabernas, cafés de camareiras e casas de
O Teatro de Revista, género de teatro ligeiro tipicamente lisboeta nascido em 1851, cedo descobrirá as potencialidades do fado que, a partir de 1870 integra os seus quadros musicais, para ali se projectar junto de um público mais alargado. O contexto social e cultural de Lisboa com seus bairros típicos, sua boémia, assume protagonismo absoluto no teatro de revista. Ascendendo aos palcos do teatro o fado animará a revista, estruturando-se novas temáticas e melodias. No teatro de revista, com refrão e orquestrado, o fado será cantado quer por famosas actrizes, quer por fadistas de renome, cantando o seu repertório. Ficariam na história duas formas diferentes de abordar o fado: o fado dançado e estilizado por Francis e o fado falado de João Villaret. Figura central da história do Fado, Hermínia Silva consagrou-se nos palcos do teatro nas décadas de 30 e 40 do Século XX, somando os seus inconfundíveis dotes de cantadeira com os de actriz cómica e
Embora os primeiros registos discográficos produzidos em Portugal datem dos alvores do século XX, o mercado nacional era ainda, nesta fase, bastante incipiente, uma vez que a aquisição quer de gramofones, quer de discos, acarretava custos bastante elevados. Efectivamente, depois da invenção do microfone eléctrico, em 1925, reunir-se-iam as condições fundamentais às exigências de captação do registo sonoro. Decorrendo, no mesmo período, o fabrico de gramofones a preços cada vez mais competitivos, estavam criadas, junto de uma classe média, as condições mais favoráveis de acesso a este mercado.
E se as primeiras letras de Fado eram, na sua maioria, anónimas, sucessivamente transmitidas pela tradição oral, esta situação inverter-se-ia definitivamente a partir de meados da década de 20, época em que surge uma plêiade de poetas populares como Henrique Rego, João da Mata, Gabriel de Oliveira, Frederico de Brito, Carlos Conde e João Linhares Barbosa, que consagrará ao fado particular atenção. A partir dos anos 50 do século XX o fado cruzar-se-á definitivamente com a poesia erudita na voz de Amália Rodrigues. A partir do contributo decisivo do compositor Alain Oulman, o fado passará a cantar os textos de poetas com formação académica e obra literária publicada como David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Mello, José Régio, Luiz de Macedo e, mais tarde, Alexandre O’Neill, Sidónio Muralha, Leonel Neves ou Vasco de Lima Couto, entre muitos outros.
De facto, só a estabilização do regime democrático devolveria ao fado o seu espaço próprio a partir de 1976 e, logo no ano seguinte, vinha a lume o álbum
Já nos anos 90 o fado consagrar-se-ia, definitivamente nos circuitos da 