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Teatro Rápido apresenta “ Por
Amor ”
Na primeira peça, “Onde é que julgas que
vais?”, da autoria de Tiago Torres da Silva e interpretação de Fernanda
Neves e João Passos, é contada a história de amor entre uma prostituta e um
cliente, explorando o que representa a solidão para cada um deles, e segundo o
autor, “quero que o público veja que somos todos iguais na hora de amar
alguém, onde duas personagens absolutamente solitárias que vivem em lugares
completamente diferentes na sociedade, podem encontrar-se por amor e mudar a
vida toda em função disso”.
Duas pessoas, aparentemente de contextos sociais diferentes, ambos frustrados com a vida que levam, acabam por encontrar nos braços um do outro a forma de combater a solidão.
Em conversa com o autor, Tiago Torres da Silva,
este fala na dificuldade da sua geração em conseguir arranjar palcos para
apresentar as suas peças, surgindo assim o Teatro Rápido como uma solução para
superar estas dificuldades, considerando um desafio estimulante contar uma
história em quinze minutos.
No entanto, este confessa gostar mais de ter tempo para desenvolver a sua história, preferindo os moldes mais usuais do mesmo. O autor pretende com as suas peças “dar voz a quem não tem voz”, explorando temas actuais. Questionado sobre se é mais fácil escrever para teatro ou para fado, este recorre a uma célebre frase de Amália, “ Cantar ou é muito fácil, ou é impossível”, afirmando que é a diversidade que o atraia nos trabalhos.
“Não sou eu, és tu” é o nome da
segunda peça, esta da autoria de Ana Saragoça, com a interpretação de Rosa Villa
e de Hugo Costa Ramos, dando-nos a conhecer a relação entre um casal de idades
muito divergentes, de um lado temos um jovem que ainda não atingiu os trinta
anos, do outro uma mulher perto dos cinquenta anos de idade.
Nesta peça são explorados os conflitos que foram surgindo ao longo de anos de relacionamento, tendo como ponto comum, a diferença de idades existente. Se por um lado, da parte da mulher, os medos e receios em relação ao seu corpo, tendo um complexo de inferioridade em relação as raparigas mais novas, levam a que seja mais fria e distante, da parte do jovem, o facto dos amigos da namorada gozarem com a diferenças de idade existentes entre eles e a contante procura da namorada em mostrar que o jovem já é suficientemente adulto para ela, são os motivos para o seu afastamento. No entanto, tudo acaba bem, aceitando os defeitos um do outro, o casal reconcilia-se.
A terceira peça, “Goodbye”, da
autoria de João Ricardo e intepretada por Cristina Areia, chega a nós em forma
de monólogo.
Apesar de, segundo o autor, a actriz Cristina Areia não ter sido a primeira escolha para esta peça (Sofia Sá da Bandeira era a primeira opção), esta intepreta o seu papel brilhantemente. A actriz, dando vida a uma mulher divorciada e com filhos que se faz passar por uma turista dinamarquesa, encontra numa relação de uma noite com um jovem de dezassete anos um escape à sua vida solitária e rotineira, onde após ter tido relações sexuais com o jovem, entra numa espiral de emoções diferentes, desde o arrependimento e culpa, à desculpabilização, passando também pela nostalgia dos seus tempos de jovem. Segundo o autor, João Ricardo, a mensagem que pretende transmitir com esta peça passa por “explorar o imaginário feminino, a mulher trágica, a mulher perversa e cruel, a mulher materna”.
Para o autor da peça, João Ricardo, o que o atrai
mais neste tipo de teatro é “o estar disponível para o experimentalismo,
onde em menos tempo, ser possivel introduzir muito coisas, explorar afectos e
emoções”.
Habituada a teatro noutro tipo de moldes, a actriz
Cristina Areia afirma que o seu sonho sempre foi trabalhar um texto nestes
moldes, trabalhar uma personagem, um trabalho sério, diferente do teatro de
revista, ter-se inspirado no autor da peça, na personagem desenvolvida pelo
próprio para este papel, procurando conseguir tornar a personagem interessante
para o público, levando-o a questionar-se sobre a mesma.
A ultima peça, “Onde é que estavas quando
te vi pela última vez”, da autoria de Miguel Graça e interpretação de
Lídia Muñoz, mostra-nos uma jovem em completo estado de desespero e depressão,
que após ter sido abandonada pelo grande amor da sua vida, enfrenta uma solidão
profunda.
Aqui, a jovem abandonada, procura convencer-se que o seu amor iria voltar, desistindo da vida, vive numa realidade diferente, plena de solidão, tristeza e amargura, onde somente os seus pensamentos irreais sobre o regresso do seu amado a reconfortam, definindo a sua situação somente como um período de espera. |

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