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Pedro Lacerda apresenta “ Lenz ”
De narrador a personagem, com algum cariz
religioso pelo meio, o actor apresenta-nos uma viagem de sofrimento, uma
personagem perdida no caos do
mundo e revoltada, o combate à esquizofrenia e uma crítica à sociedade.
A peça inicia-se com o actor Pedro Lacerda a
cantar uma música, que segundo o próprio “ é um tema relacionado com a
igreja, hino de Martinho Lutero, que faz parte do hinário protestante
normal”, surgindo por sugestão de amigos e familiares, tema esse que
“questiona a relação com Deus de uma forma chocática, relacionando-se
com a personagem de Lenz e a sua revolta contra Deus, porque perdeu alguém e
acha injusto”.
Lenz chega a nós como uma personagem solitária,
revoltada e que vive entre a depressão profunda e uma euforia imensa, tanto se
assusta com a escuridão e solidão, se revolta com o mundo e com Deus, procurando
várias vezes o suícidio, como se entusiasma, se apaixona, e descreve as
paisagens que o rodeiam, o céu, a montanha, as nuvens, de forma um pouco
eloquente, chegando ao estado de indiferença total em relação ao mundo.
Esta é uma viagem de solidão, o caminho de um homem, de um artista, como era Lenz, para a loucura.
Quando questionado sobre o que lhe interessou
neste texto, o actor refere que “como actor se sente muito próximo da
personagem, uma pessoa simples, apesar de não ser esquizofrénico”, afirmando que
lhe interessa conhecer mais a personagem de Lenz, que apesar de esquizofrénico,
se apresentava como um génio, alguém que tinha hipóses de ter uma carreira
brilhante e vê assim gorado esse futuro.
Na peça o actor adapta o texto original, Lenz, faz
uma menção de um sermão, onde faz uma critica à sociedade de hoje, dando-nos a
conhecer um Jesus Cristo aventureiro e revoltado com o que vê nos dias de hoje,
alguém que não se revê nos ajuntamentos, alguém que pretende mudar a ordem do
mundo, um revoltado, um agitador, um provocador.
Segundo o actor, esta critica deve-se ao periodo de crise profunda que vivemos, onde as pessoas, cada vez mais se questionam e cada vez mais procuram respostas.
Uma peça que promete inspirar quem a ela assista,
onde está presente uma ligação forte do actor com a igreja, uma representação de
excelente qualidade.
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