28 de janeiro de 2013

Museus

Cartazes de Propaganda Chinesa - A arte ao Serviço da Política




Esta exposição reune cerca de 100 cartazes de propaganda chinesa entre 1959 e 1981, que representam um momento histórico do período da grande revolução conduzida por Mao Tse Tung
Nesta exposição, dividida por nove núcleos, estão abordados temas correntes como a glorificação do presidente Mao, os heróis comunistas, a prosperidade da economia, a luta contra o imperialismo, a felicidade do povo e o poder do exército, entre outros.
O Hardmusica falou com a coordenadora geral da exposição Maria Manuela de Oliveira Martins, que disse que contou com a participação dos comissários Jacques Pimoaneau e Sylvie Pimpaneau, para ajudarem a estruturar os núcleos apresentados ao público.
Assim o primeiro núcleo é uma apresentação de Mao Tse Tung, a sua glorificação e adoração pelo povo, o segundo é alusivo aos heróis estrangeiros, entre outros um médico canadiano, Norman Béthune, que se disponibilizou para assistir os doentes na guerra Sino - Japonesa, que combateu ao lado do exercito de Mao, ou mesmo um jovem anónimo, que deixou um diário que contem uma frase muito usada “os parafusos na engrenagem da revolução”.
Segue-se um núcleo com alguns cartazes de propaganda das políticas do Partido Comunista da China, o quarto núcleo dá lugar à luta das classes que são fundamentais para a criação da nova China, as classes representadas são: os Operários, os Camponeses e os Militares.
Dando lugar às minorias e enfatizando o papel da mulher, a mulher enquanto educadora, revolucionária, a politica de uma família numerosa com muitos filhos, a fraternidade entre os povos e também todos os que se transformaram em heróis e modelos a seguir pelas populações, estão os núcleos quinto e sexto.
Há uma parte dedicada ao teatro de sombra, retratando as classes, esta parte lembra um pouco da história da mulher de Mao – Jiang Qing- que foi a responsável pela repressão de todas as formas de teatro e deu início à revolução Cultural.
Para o sétimo núcleo explica-se como as lutas revolucionarias passam para o exterior da China, a luta maoista na década de 60 estendeu a sua influência ao sudoeste asiático, Camboja,Vietnam, e Tailândia, contra o imperialismo e o colonialismo das potências ocidentais e alastrou-se durante a década de 70 aos países africanos como a Somália, Angola e Moçambique que lutavam pela independência.
A apresentação do oitavo núcleo é constituído por xilogravuras, brinquedos, pins e a finalizar um núcleo dedicado à influência do maoismo em Portugal, “que vingou sobre tudo, obteve a simpatia dos portugueses a partir do 25 de Abril de 1974.” segundo as palavras da coordenadora.
Salienta-se também, que nesta exposição há a possibilidade de se visionar um documentário cedido por “Center for Asian American Media”, que contém testemunhos verídicos de pessoas que viveram a época da revolução e actualmente estão radicadas fora da China, muito devido à falta de respeito pelos direitos humanos, vividos na época.
Trata-se efectivamente de uma Exposição com um vasto conteúdo cultural e educativo, que tem também o propósito de garantir a actualidade desta visão extraordinária, de história dos nossos dias.
Este é um trabalho que Maria Manuela de Oliveira Martins disse não ter tido grandes dificuldades em realiza-la, uma vez que “as cores estão cá, as peças falam por si, encontrar a cor base das paredes também foi fácil porque o vermelho era a cor da revolução, o amarelo, era o sol que Mao Tse Tung pretendia irradiar para toda a China”.
Além desta exposição que estará em exibição ao longo do ano, até ao dia 27 de Outubro, por apenas cinco euros, “pode visitar o museu, temos mais exposições temporárias em presença, no piso 2 há uma exposição dedicada ao chá, “Chá do Oriente para o Ocidente” e na próxima semana vai abrir mais uma exposição sobre “Macau- Memorias a tinta da China”, integrada nas comemorações dos 500 anos das relações entre Portugal – China.
 



 

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