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A primavera árabe contada por Francisco
Serrano
“Nas páginas seguintes, relato uma viagem
pelo Norte de África, durante o ano de 2011 (…) Queria atravessar o Norte de
África e chegar ao Cairo, afastar-me dos lugares que eu já conhecia, subir
montanhas e descer aldeias (…) Convenci-me de que escreveria sobre as ditaduras
da região (…) Na maioria dos casos, cheguei tarde. Imaginei este livro como um
retrato do autoritarismo estatal, mas acabei imerso na instabilidade da sua
queda”.
As primeiras palavras que estreiam as crónicas da
viagem em que Francisco Serrano se lançou, em plena primavera árabe, no meio da
turbulência política e social.
A cerimónia na Livraria Buchholz foi breve e a
‘casa’ esteve cheia.
Estiveram presentes Francisco Serrano, o jornalista e escritor, José Menezes, Director de Comunicação da LeYa, e Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros.
José Menezes agradeceu a
“confiança” que o autor lhe depositou para a publicação do
livro e Luís Amado não agradeceu o convite, mas agradeceu o livro, deixando as
suas palavras de consideração sobre “A Captura de Abbdel Karim” e o seu autor.
“A atitude fez-me aceitar este convite. Não é vulgar, com apenas 29 anos, a aventura de percorrer esse território, de Argel ao Cairo, sobre brasas”.
Elogiou a serenidade e o espírito crítico de
Francisco Serrano, na sua análise meticulosa em tensão permanente entre os
políticos e a política, e salientou, “o retrato do que se passa nesta
região é absolutamente fundamental para que nos possamos posicionar nesse mundo,
absorver e analisar criticamente este tipo de problemas”.
Francisco Serrano prometeu não se alargar e assim
foi, falou essencialmente de três tópicos: a viagem, a estrutura do livro e a
escolha do título.
Uma “viagem inesperada, que foi uma
surpresa enriquecedora”, porque na altura em que partiu ainda não
tinham começado as revoluções. Depois dessa viagem, decidiu contar a história em
forma de crónica e incluiu testemunhos de pessoas que foi conhecendo.
Assim, conseguiu uma visão histórica sempre do ponto de vista de quem lá estava. “Essa parte faz muito mais do livro do que narrativas minhas”.
Quem é Abdel Karim? “Decidi levar essa
história ao título porque explica o absurdo das situações da guerra e da vida
humana que se vê levada ao limite”.
Abdel Karim foi um rapaz de 17 anos que o jornalista entrevistou, numa prisão na Líbia. Fez parte de um grupo de miúdos que foi levado pelo exército e forçado a combater mas que, apanhado no meio de uma emboscada, foi dos poucos que conseguiu sobreviver. Quando acordou percebeu que tinha sido feito prisioneiro pelos próprios primos e colegas da universidade.
Francisco Serrano viveu, entre 2008 e 2010, em
Jeddah, Cairo, Tunes e Casablanca, onde colaborou com a imprensa portuguesa.
Trabalha como analista na Oxford Business Group, empresa editorial de pesquisa e
consultoria, que publica informação sobre os grandes mercados mundiais.
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