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“ A Paixão das Origens ”, o livro que traz de
volta Alberto Sampaio
“Esta não é uma fotobiografia qualquer, é
uma recordação e invocação de quem, de forma pioneira, lançou as bases do
conhecimento da nossa realidade”, salientou o autor do prefácio,
Guilherme de Oliveira Martins explicando que a obra de Alberto Sampaio é um
“desafio e apelo forte para que a universidade possa rever o seu
papel”.
Alberto Sampaio, escritor e historiador português (1841-1908) tornou-se num contributo para o conhecimento da realidade histórico-social dos últimos séculos.
Foi pelas 18:30 que o Auditório BNP recebeu o
Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, João Serra, o Reitor da Universidade
de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, Guilherme de Oliveira Martins, e os autores
Emília Nóvoa Faria e António Martins.
António Sampaio completou as palavras de Guilherme
de Oliveira Martins e sublinhou a importância do Manifesto dos estudantes da
Universidade de Coimbra (1862) levado a cabo, entre outros, por Alberto Sampaio.
Um Manifesto que se “dirige ao país e tem uma dimensão de ruptura e provocação intelectual, que nos obriga a pensar em Portugal e na maneira como nos situamos face ao país”.
Uma reflexão que, acredita, deve ser feita nas
universidades, em particular na área de Humanidades, sobre a produção escrita.
António Sampaio explica que o valor que Alberto Sampaio dava ao tempo, na sua relação com a escrita, é “muito diferente” daquele que nós lhe atribuímos hoje em dia. “Hoje em dia nas universidades somos obrigados a escrever e fazemo-lo numa escrita muito conjuntural, o que não nos permite pensar numa longa duração com o país”. Alberto Sampaio, pelo contrário, passou de uma escrita mais narrativa, mais centrada, para uma que procura as dimensões mais estruturais e “só mais tarde é que isso se torna importante para a historiografia”.
A autora do livro, Emília Nóvoa, agradeceu à
Biblioteca Nacional a possibilidade de divulgar este trabalho no Sul e falou
sobre o título, as fontes e a perspectiva da obra. “Entre as grandes
preocupações do espírito humano a questão das origens tem sido e será sempre uma
das mais culminantes”, citou, justificando a escolha do título através
de palavras de Alberto Sampaio.
Explicou ainda que grande parte das imagens e
documentos seleccionados para a fotobiografia, foram obtidos através do Arquivo
da Casa de Boamense, que pertence à família do historiador, e do Fundo
Documental de Alberto Sampaio, em Vila Nova de Famalicão.
A investigação foi também feita noutros arquivos, bibliotecas e instituições culturais de âmbito regional e nacional.
O livro “segue uma abordagem temática sem
nunca perder as balizas cronológicas” e por isso apresenta-se dividido
em seis capítulos que nos revelam o percurso de vida de Alberto Sampaio e nos
mostram a construção da sua personalidade e da sua obra.
António Martins, também autor do livro, preferiu
tecer considerações sobre a acessibilidade da obra de Alberto Sampaio.
“Como se pode justificar a grande dificuldade no acesso, do grande
público, à sua obra?” Alguns escritos permanecem inéditos,
“limitados a algumas bibliotecas do país, alguns só disponíveis num
alfarrabista ou em leilão, e outros sem qualquer tipo de distribuição no mercado
livreiro”. Sem meias palavras, terminou o seu discurso.
“Esperemos que o lançamento deste livro, motive uma editora comercial a
colmatar estas lacunas”.
Um livro que traz de volta o pensamento de Alberto
Sampaio, muitas vezes deixado na penumbra. O historiador formou-se em Direito na
Universidade de Coimbra e foi amigo íntimo de Antero de Quental, com quem viajou
por diversos países.
Viagens que lhe permitiram estudar a fundo as civilizações primitivas do noroeste de Portugal e aspectos da economia do país. A obra “Estudos Históricos e Económicos”, uma colectânea de investigações, foi o seu ex-libris. |

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