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Eça de Queiroz renasce no Grémio
Literário
O Grémio Literário foi criado por carta régia de
D. Maria II em 18 de Abril de 1846 – “considerando Eu que o fim dessa
associação é a cultura das letras e que pela ilustração intelectual pode ela
concorrer para o aperfeiçoamento mora", foi neste espaço emblemático e
com forte componente histórica, várias vezes mencionado nos “Maias”, que foi,
segundo palavras de Zeferino Coelho, “a melhor sala para a apresentação
deste livro, não há nenhum livro tão importante como este”.
Entre amigos “Queirozianos” o lançamento do livro
tornou-se uma lembrança carinhosa e quase familiar, levando aos presentes
deliciarem-se com o incomparável e incrível talento da mestria do correr da pena
usada por Eça de Queiroz.
Irene Fialho salientou e enalteceu o de Maria, filha de Queiroz, que “guardou muito bem a memória do pai” e o cuidado de Afonso Reis Cabral, tri-neto, que “acompanhou todo o processo”.
O livro “Eça de Queiroz entre os seus – Cartas
intimas” foi editado pela primeira vez em 1949, surge para refutar as varias
teses que surgiram em 1945, que apresentam Eça de Queiroz como um homem, frio,
ríspido e distante, incapaz de amar.
Após quatro anos, destas publicações, Maria, com o
apoio do seu irmão quis repor a verdade sobre o pai, e não foi só publicando o
seu testemunho, mas fazendo prova do que dizia, apresentando as cartas trocadas
entre os pais ao longo de quinze anos de casamento. Maria hesitou na publicação
das cartas, pela exposição, pois queria preservar a intimidade do casamento.
De forma cronológica são apresentados todos estes
momentos, começando pelo noivado, e ao longo de seis capítulos são apresentadas
cartas com relatos emotivos, e verdadeiros com uma cumplicidade evidente em cada
linha.
É notório e extremamente enriquecedor, o
testemunho dos filhos, Maria dá um contributo sem igual lembrando as suas
memórias, e verifica-se na leitura das cartas que tem um relacionamento
excelente com todos os membros da família.
Em breves passagens e num silêncio glacial, na
sala, Isabel Alçada, leu algumas palavras das cartas, lembrando a frequência com
que estavam expostos e a falta que sentiam um do outro reclamando a
“ausência de linhas” ou “Diz-me o que fazeis à noite,
todos os detalhes são preciosos, a menina fala do papá?” palavras essas
que “nos fazem sentir da família de Eça de Queiroz”.
Finalizando a apresentação Isabel Alçada comentou
que “Na crista da onda”, é um livro que escreveu com Ana Maria Magalhães para
apresentar Eça de Queiroz aos mais novos.
Finalizada a apresentação. Zeferino Coelho
encaminhou os presentes para um Tornes de honra.
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